Limitações e incertezas
Este sistema é um projeto voluntário, construído e mantido por um único desenvolvedor e sem vínculo com órgãos oficiais. Esta página serve para listar abertamente as limitações técnicas atuais da plataforma e alinhar as expectativas de quem a utiliza. Em caso de emergência, siga sempre as orientações do Alerta Rio e da Defesa Civil (199).
1. O motor deixou de detectar quase todos os transbordamentos que estudamos
Reexecutamos o motor de risco contra os 8 episódios documentados em que o Rio Acari cruzou a cota de transbordo (3,5m) entre maio de 2024 e fevereiro de 2025. Resultado: 1 de 8 foram classificados como risco alto ou médio pelo motor — nos outros 7, o painel teria mostrado risco baixo/normal durante o evento real.
Dos 8, apenas 2 têm impacto real confirmado por notícia ou registro da Defesa Civil (os outros 6 são cruzamentos de cota sem confirmação de impacto encontrada — não é prova de que não houve impacto, é ausência de confirmação). Contra esses 2, o motor detectou 1.
Medido em 2026-08-02.
2. Os limiares de chuva não foram calibrados com contrafactuais
O limiar atual (chuva > 15mm/h para risco alto) disparou em apenas 1 dos 8 episódios reais. Testamos limiares mais baixos contra 42 janelas reais de chuva sem transbordamento (contrafactuais): baixar o limiar detecta mais eventos reais, mas também dispara em muito mais falsos alarmes — a 5mm/h, 83% dos alarmes seriam falsos. Não existe um limiar de chuva de 1 hora, isolado, que detecte os eventos reais sem gerar falso alarme constante.
Em 2 de agosto de 2026 descobrimos que os dados de chuva usados nessa avaliação estavam sendo lidos errado: o arquivo do Alerta Rio mudou de formato em novembro de 2024 e o nosso programa continuou lendo as colunas na posição antiga, trocando o acumulado de 24 horas pelo de 1 hora. Corrigimos, recalculamos tudo, e os números desta página são os corrigidos. A medição anterior dizia que o motor não detectava nenhum dos oito episódios; o número real é um em oito.
3. O modelo de maré não inclui a elevação por tempestade (surge meteorológico)
A maré exibida é uma previsão astronômica (posição da lua e do sol), não uma leitura em tempo real. Ela não captura a elevação adicional que vento forte ou baixa pressão atmosférica podem somar ao nível do mar durante uma tempestade — exatamente o cenário em que a maré mais importa para o risco de Acari. Esta previsão é válida até 01/01/2027.
4. O nível do rio não está disponível em tempo real
A variável que melhor separa os 8 episódios reais (nível do rio, cota de 3,5m) não tem fonte confiável hoje: a integração que existia apontava para um domínio de terceiros hoje à venda, e a série oficial do INEA não emite leitura de nível para a estação de Acari. O painel de hidrologia mostra essa indisponibilidade explicitamente, em vez de esconder o campo ou fabricar um valor.
5. O radar tem uma limitação de geolocalização não verificada
A leitura de intensidade de chuva por cor de pixel (dBZ) foi validada contra a legenda oficial embutida na imagem do radar. A localização geográfica de cada pixel (georreferenciamento), porém, não foi verificada contra uma referência real — a imagem de radar que coletamos não tem linha de costa ou outro ponto de referência visível para conferir o alinhamento. Um erro de geolocalização de alguns pontos percentuais é possível e não descartado.
6. Canal de alerta ativo (push/WhatsApp/Telegram) — bloqueado até POD/FAR aceitáveis
Issues relacionadas: #36
Documentação técnica completa: `docs/04-regras-alerta/limitacoes-e-incertezas.md` e `docs/05-decisoes/` no repositório público do projeto.